A MISSÃO DO DOENTE Alberto Mendes*

A representação que cada um constrói sobre o que traduz o ser e estar doente, sobre o que é o sofrimento, é única para cada um e está em constante transformação. Nos dias de hoje, o mundo ocidental cai muitas vezes na tentação de ver e pensar os doentes como meros recetores de cuidados. Pessoas que pela sua fraqueza e necessidade de cuidados constantes poderiam ser consideradas uma sobrecarga física, emocional e social para as pessoas e para o meio que as rodeia, já sem nada terem a oferecer a elas próprias ou aos outros. Mas tal não é, de todo, verdade. O sofrimento faz parte da existência humana e, apesar de ser preciso fazer todo o possível para o diminuir, pois tal faz parte das exigências fundamentais da existência cristã, ele existe para que o Homem se veja e sinta perante a finitude que define a sua humanidade. Só quando confrontado com a doença e o sofrimento o ser humano tende a questionar a sua existência no mundo e a compreender e interiorizar a vulnerabilidade e fragilidade humanas. É só quando lidamos de perto com o “ser doente” que surge a possibilidade de a pessoa se transcender, na medida em que deverá aceitar conscientemente que a doença e o sofrimento existem na nossa vida e nos obrigam a traçar novos objetivos de vida para chegarmos à salvação. Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor.
A grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade. Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir, mediante a compaixão, para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido mesmo interiormente é uma sociedade cruel e desumana. A sociedade, porém, não pode aceitar os que sofrem e apoiá-los no seu sofrimento, se os próprios indivíduos não são capazes disso mesmo; e, por outro lado, o indivíduo não pode aceitar o sofrimento do outro, se ele pessoalmente não consegue encontrar no sofrimento um sentido, um caminho de purificação e de amadurecimento, um caminho de esperança. Aceitar o outro que sofre significa, de facto, assumir de alguma forma o seu sofrimento, de tal modo que este se torna também nosso. E assim, compartilhando o sofrimento, ele é trespassado pela luz do amor em Cristo.
Os doentes, os que sofrem e os que estão mais perto deles devem ser instruídos sobre o valor do sofrimento, ser encorajados a oferecê-lo a Deus, e com esta oferta também eles se tornarem missionários do amor de Deus no mundo.

(Secretariado das Missões)

A MISSÃO DA FAMÍLIA

Nos dias de hoje face à competitividade na sociedade em que estamos inseridos, nomeadamente na área do emprego, educação escolar e sobretudo na quantidade de oportunidades que a mesma oferece em termos de ocupação de tempos livres, de ver relegado para segundo plano o desafio do papel da família na evangelização cristã.
Na realidade, o crescimento no mundo atual, de divórcios, separações e ruturas familiares, pais ausentes ou mães solteiras, crianças e jovens abandonados, são o reflexo da sociedade inquinada em que vivemos.
A família tem de ser por excelência como que uma instituição responsável por promover a educação de todos os seus componentes e simultaneamente influenciar o seu comportamento no meio social, e onde possa nascer os valores morais que sirvam de base na socialização.
A família deve ser uma escola de amor, de justiça, de compaixão, de perdão, de respeito mútuo, de paciência e de humildade.
Ora a Igreja, que somos todos nós, pode desempenhar aí uma missão fundamental.
Começando na nossa própria casa, com filhos e netos, que serão a semente de futuras gerações a congregar novas comunidades de sadia vida cristã. Desde logo com o nosso próprio exemplo, de disponibilidade, atenção e acompanhamento de todo o clã familiar, em iniciativas que a partir da Igreja, paróquia ou outros locais de pura evangelização, nos possa conduzir aos caminhos de Deus.
As famílias são pequenas Igrejas onde temos a obrigação de ajudar a descobrir o melhor caminho para Deus, porque ELE tem sempre um plano de vida para cada um.
É pelo batismo, sacramento primeiro na iniciação da vida cristã, que por vezes as famílias protelam por tempo indeterminado, que deve começar a nossa humilde mas nobre missão de evangelização.
Sendo a Palavra de DEUS fonte de vida e espiritualidade nas famílias, é nossa missão que a leitura do evangelho nunca seja esquecida ou colocada de parte, pois a sua reflexão ajudar-nos-á seguramente a desbloquear situações embaraçosas que se nos depara com frequência.
Só assim, poderemos, e em conjunto com outras famílias, estar minimamente preparados para sermos testemunhos, servidores e seguidores de Jesus Cristo.
Como pequena Igreja, bem documentada e preparada, podemos finalmente dar consequência ao pedido que nos é feito pelo Santo Padre, de partir para as periferias, nomeadamente, nos locais de trabalho, escola, espaços de lazer e outros, e ser o Fermento que leveda toda a massa a fim de fazer crescer o bolo da comunidade cristã.

Emília Magalhães
Secretariado Diocesano Missões Porto

Nos dias de hoje face à competitividade na sociedade em que estamos inseridos, nomeadamente na área do emprego, educação escolar e sobretudo na quantidade de oportunidades que a mesma oferece em termos de ocupação de tempos livres, de ver relegado para segundo plano o desafio do papel da família na evangelização cristã.
Na realidade, o crescimento no mundo atual, de divórcios, separações e ruturas familiares, pais ausentes ou mães solteiras, crianças e jovens abandonados, são o reflexo da sociedade inquinada em que vivemos.
A família tem de ser por excelência como que uma instituição responsável por promover a educação de todos os seus componentes e simultaneamente influenciar o seu comportamento no meio social, e onde possa nascer os valores morais que sirvam de base na socialização.
A família deve ser uma escola de amor, de justiça, de compaixão, de perdão, de respeito mútuo, de paciência e de humildade.
Ora a Igreja, que somos todos nós, pode desempenhar aí uma missão fundamental.
Começando na nossa própria casa, com filhos e netos, que serão a semente de futuras gerações a congregar novas comunidades de sadia vida cristã. Desde logo com o nosso próprio exemplo, de disponibilidade, atenção e acompanhamento de todo o clã familiar, em iniciativas que a partir da Igreja, paróquia ou outros locais de pura evangelização, nos possa conduzir aos caminhos de Deus.
As famílias são pequenas Igrejas onde temos a obrigação de ajudar a descobrir o melhor caminho para Deus, porque ELE tem sempre um plano de vida para cada um.
É pelo batismo, sacramento primeiro na iniciação da vida cristã, que por vezes as famílias protelam por tempo indeterminado, que deve começar a nossa humilde mas nobre missão de evangelização.
Sendo a Palavra de DEUS fonte de vida e espiritualidade nas famílias, é nossa missão que a leitura do evangelho nunca seja esquecida ou colocada de parte, pois a sua reflexão ajudar-nos-á seguramente a desbloquear situações embaraçosas que se nos depara com frequência.
Só assim, poderemos, e em conjunto com outras famílias, estar minimamente preparados para sermos testemunhos, servidores e seguidores de Jesus Cristo.
Como pequena Igreja, bem documentada e preparada, podemos finalmente dar consequência ao pedido que nos é feito pelo Santo Padre, de partir para as periferias, nomeadamente, nos locais de trabalho, escola, espaços de lazer e outros, e ser o Fermento que leveda toda a massa a fim de fazer crescer o bolo da comunidade cristã.

Emília Magalhães
Secretariado Diocesano Missões Porto

ECOPONTO MISSIONÁRIO PELO CUIDADO DA CASA COM

Introdução:
Todos os anos a Família Comboniana lança um projeto comum para ligar Portugal com as comunidades mais desfavorecidas nos países onde tem missionárias e missionários no terreno.
Este ano escutou o clamor das mulheres de Adu, na zona queniana de Melinde, próximo do local onde Vasco da Gama deixou um padrão a caminho da Índia.
As famílias de Adu tradicionalmente vivem da produção de carvão e da agricultura. Com as alterações climáticas a afetar todo o planeta, fácil é perceber que Adu não escapou: a seca faz-se sentir mais do que nunca na região; os terrenos agrícolas produzem muito menos e a população vive sob a ameaça da fome. As mulheres, que são o motor da economia local, têm de destruir mais floresta para produzir carvão e preparar novas áreas de cultivo.
A Família Comboniana em Adu propõe um projeto de formação de costura e alfabetização para dar às mulheres alternativas de sobrevivência e desenvolvimento económico. O projeto aponta também para devolver às florestas e aos espaços públicos de Adu as árvores que foram devastadas com a plantação de novas espécies especialmente adaptadas ao solo e clima locais.
Na primeira fase 90 mulheres vão beneficiar do projeto, 90 famílias serão a base de um novo desenvolvimento e de uma nova esperança.
Para isto precisamos de ajuda. Lançamos a iniciativa dos ecopontos missionários para cada pessoa pôr aquilo que puder.
Pedimos a ajuda em dinheiro por razões óbvias: é muito mais fácil e menos dispendiosos de fazer chegar aos destinatários. A solidariedade em espécie não é viável porque enviar contentores é muito caro e é difícil fazê-los chegar a Adu, porque a alfandega queniana coloca imensos problemas. Além disso, será mais fácil, aos responsáveis da execução do projeto em Adu, aplicar o produto da angariação de forma mais direta e imediata às necessidades especificas da população.
Conclusão:
Pretende-se envolver toda a comunidade no ecoponto missionário solicitando o seu contributo com aquilo que cada um/uma puder partilhar, traduzido em dinheiro, dado que, voltamos a frisar, no local onde é necessário é mais fácil e mais barato do que mandar em espécie.
Cuidando da casa comum, atuamos aqui e ajudamos lá, diminuímos a pegada ecológica em ambos os lados e fazemos promoção humana com a população de Adu.

Proposta Concreta:
Com o ecoponto missionário todos trabalhamos pelo cuidado da casa comum, colocando no devido ecoponto a quantia que doamos tendo em conta a sua origem.
Por exemplo: não bebi um refrigerante de lata; o refrigerante custava €1,50. Como a lata se põe no ecoponto amarelo, pego no €1,50 e coloco-o no ecoponto missionário amarelo. Não comprei uma caixa de chicletes que custava €1,00. Como a caixa é de papel vou colocar o euro no ecoponto azul. Se não bebi ou comi algo engarrafado ou num frasco de vidro que valia €0,50, coloco a moeda no ecoponto verde. Se poupei algum valor em pilhas ou noutra fonte de energia devo colocar no ecoponto vermelho.
Com pequenos passos, todos podemos ajudar. Podemos motivar todos, do mais novo ao mais velho, a cuidar da casa comum, sensibilizando-os para uma causa em concreto, levando-os a pensar nos outros, a darem-se segundo as possibilidades, sendo missionários no dia-a-dia…
Os animadores do projeto disponibilizam-se para ir às escolas e paróquias apresentar o projeto de forma dinâmica e interativa e ensinar a construir os ecopontos missionários, deixando um protótipo e algum material.
Vamos acompanhar todo o processo dando a conhecer como crescem as ajudas, quem tem apoiado e com quanto.
Quem mais ajuda recebe um diploma de «melhor ecomissionário», porque contribuiu mais e melhor para o cuidado da casa comum.

Recursos necessários:

Material:
Quatro ecopontos (verde, amarelo, azul e vermelho) que servem de «casas-mealheiro» e que podem ficar nas escolas, paróquias, casas, etc.. Serão recolhidos de vez em quando e substituídos por outros. Os ecopontos missionários podem ter tamanhos variados, segundo o local onde ficarem (na sala de aula da escola ou da catequese podem ser de maiores dimensões; na casa de cada um, mais pequenos).

Humanos:
Professores que o Conselho Executivo determinar que se responsabilizem dos ecopontos missionários nas escolas. Propomos, em particular os de Ermc, Biologia, Ciências da Natureza, Estudo do Meio; …
Catequistas;
Animadores de grupos;
Educadoras de infância;
Agentes pastorais que acompanhem as escolas, infantários, igrejas, grupos, etc.

Pedagógicos:
Jornal do Ranking Ecoponto missionário;
Visitas de apresentação da iniciativa com dinâmicas interativas;
Visitas de incentivo e participação em iniciativas que a escola, infantário, igreja, grupo, etc., tenham e precisem da ajuda do animador missionário.

Institucionais:
Parceiros e patrocinadores que nos apoiem e ajudem a levar o projeto a bom porto, nomeadamente com o patrocínio de ecopontos missionários de diferentes tamanhos ou outro;
Parceiros e patrocinadores com apoio monetário e/ou com ideias que renovem e revitalizem o projeto de forma a que este seja um sucesso;
Todas as instituições podem e devem fazer-se valer da sua responsabilidade social para apoiarem o projeto que inculca valores de responsabilização e cuidado pela casa comum nas crianças, adolescentes, jovens e população em geral.
Todas as instituições apoiantes serão periodicamente informadas do andamento do projeto.
Será passado um diploma de «Ecomissionário» ao parceiro/patrocinador que mais e melhor ajudar.

Objetivos específicos:
Cuidar da casa comum, diminuindo a pegada ecológica através de um consumo menor de bens não essenciais;
Implementar valores como a responsabilidade, disponibilidade, generosidade e cuidado pela casa comum;
Incentivar no agente local o espirito de solidariedade para gestos solidários na aldeia global que é este maravilhoso mundo que habitamos;
Fomentar o espirito de interajuda entre comunidades locais e países em desenvolvimento;
Sensibilizar a comunidade para as questões ecológicas e as diferentes formas e modos de agir;
Angariar fundos para poder ajudar as mulheres de Adu para vir a ter novas formas de empregabilidade, melhorar as suas condições de vida e reflorestar a área, incluindo os espaços envolventes de lugares públicos, tais como a escola, o dispensário, a igreja, …

Caros amigos, que acompanhais solidariamente na oração a nossa presença em Angola, saúdo-vos a todos no Coração de Jesus, nosso modelo e inspiração. No mês de agosto, começa a ser uma salutar tradição na nossa comunidade de Lwena, é o mês dos voluntários. Tivemos entre nós um grupo de três voluntários que, de forma muito generosa e empreendedora, deram um pouco de si mesmos, nas áreas da formação para a liderança cristã, alfabetização e prática da língua inglesa. O Eduardo, a Carina e a Carolina deixaram muito boas recordações nas crianças, adolescentes e jovens da nossa paróquia com a sua capacidade de sair de si mesmos para estar no meio deles de forma alegre e despretensiosa, ultrapassando preconceitos e distâncias; foi uma experiência que marcou profundamente as suas vidas, sobretudo as dos voluntários que, em reacções posteriores, confessaram como tinham sido tocados interiormente. Finalmente, no mês de Outubro, concluindo as celebrações paroquiais do Ano da Misericórdia, fizemos uma peregrinação a pé ao Moxico-Velho (fica a uns 30 quilómetros da nossa paróquia). Com a bênção inicial do pároco caminhamos juntos até ao santuário de Nª Srª de Fátima, no Moxico-Velho, onde se encontra uma das portas santas da diocese de Lwena. Cantando e partilhando a vida, crianças, jovens, adultos e até os mais velhos, fizemos a nossa caminhada de forma serena e amiga. Como longo era o caminho e o andamento variava ao ritmo mais rápido ou lento das passadas dos peregrinos, fizemos algumas pausas para juntar a comunidade dos peregrinos e rezar juntos uns pelos outros. E estamos quase no fim de mais um ano. Vamos terminá-lo, como diocese, com a celebração da ordenação sacerdotal de um novo sacerdote diocesano, o futuro Padre Leonardo. É uma bênção do Senhor para uma diocese tão carenciada de sacerdotes. Agradeço a todos, mais uma vez, a vossa oração. Que esse vínculo nos mantenha solidários e unidos apesar da distância. No Coração de Jesus, Pe. Amaro Jorge SCJ